Anoitecer sobre Göreme, Capadócia, Turquia (© ONNAJA/Getty Images)
Göreme, na região turca da Capadócia, foi um convite da natureza que a humanidade aceitou. Ventos e chuvas moldaram as rochas em forma de cone, mas foram as pessoas que, há pelo menos dois milênios, fizeram delas um lar. Escavaram a pedra macia, criando igrejas, casas e cidades subterrâneas inteiras, com túneis de ventilação e afrescos bizantinos que ainda resistem nas paredes.
Em Minas Gerais, Ouro Preto seguiu outro caminho: construiu-se sobre a rocha, não dentro dela. Cresceu obedecendo aos morros e declives, sem tentar domesticá-los. A pedra entalhada virou linguagem urbana, dominando igrejas, ornamentos e detalhes que definem a identidade histórica e artística da região.
Ambas as cidades são Patrimônios Mundiais da UNESCO pelo mesmo princípio raro do urbanismo guiado pelo relevo. Em Göreme, a cidade se encaixa entre os cones; em Ouro Preto, se acomoda nas encostas. A regra é a mesma: onde a geologia oferece matéria e forma, a arquitetura responde com método, e a vida cotidiana ocupa o relevo como se sempre tivesse pertencido ali.