Vista aérea do Forte de Santa Maria, Salvador, Bahia (© Uiler Costa/Shutterstock)
Há 477 anos, nascia nossa primeira capital. Em 1549, quando o Brasil ainda era rascunho no mapa, Salvador foi escolhida para liderar a colônia portuguesa nas Américas. Berço do candomblé urbano, da capoeira sistematizada e do sincretismo que desafia rótulos fáceis, Salvador fundiu África, Europa e povos originários. Por mais de dois séculos, decisões que moldaram o país passaram por suas ruas íngremes e seu porto fervilhante, onde comércio, travessias e conflitos se misturavam como marés. Cedeu o título de capital ao Rio de Janeiro em 1763, quando a Coroa preferiu estar perto do ouro e das rotas ao sul.
Na imagem, o Forte de Santa Maria vigia a entrada da Baía de Todos os Santos, uma das maiores do mundo, desde o século XVII. Enfrentou holandeses, franceses e disputas imperiais, mantendo Salvador como bastião do Atlântico Sul. Do alto, o forte parece compacto. A cidade ao redor, não. Ritmo e reinvenção contínua marcam esta antiga capital que deixou o cargo, mas nunca o protagonismo da própria narrativa.