Raposa-vermelha no Parque Nacional de Grand Teton, Wyoming, EUA (© Radomir Jakubowski/naturepl.com)
No Parque Nacional de Grand Teton, em Wyoming, Estados Unidos, esta raposa-vermelha é um ponto de cor em meio à nevasca. Ela é a prova viva de que a evolução sabe o que faz: o pelo espesso e ruivo funciona como armadura contra o inverno rigoroso, enquanto as orelhas giram como radares, captando o menor movimento sob a neve. A raposa escuta, calcula e mergulha com precisão cirúrgica, alcançando presas que nunca chegam a aparecer na superfície.
No Brasil, a raposa-do-campo joga o mesmo jogo, mas em outro tabuleiro. A estratégia se repete: ouvir antes de agir, farejar o invisível, ler o terreno. O cardápio acompanha o ritmo do Cerrado — pequenos mamíferos, aves, insetos, frutos e até cupins. Menor e mais esguia que a raposa-vermelha, é uma espécie que só existe naturalmente por aqui.
Separadas por hemisférios, unidas pela inteligência. Seja no branco absoluto de Wyoming ou sob o capim dourado do Cerrado, as raposas não dominam o ambiente pela força. Vencem pela leitura precisa do mundo.