Savana em Piritiba, Bahia (© Gervanio Guimaraes/Getty Images)
À primeira vista, a imagem engana: o pôr do sol recorta silhuetas que lembram uma savana africana. Mas o cenário é Piritiba, no interior da Bahia, um território de transição que desafia rótulos fáceis. A região está entre a Caatinga — o único bioma exclusivo do país — e o Cerrado — a savana brasileira, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta. O resultado é um mosaico singular de árvores espaçadas e horizontes abertos, com espécies adaptadas a solos pobres, ciclos naturais de fogo e longos períodos de seca.
Aqui, a vida é feita de estratégia. Plantas de raízes profundas, troncos retorcidos, folhas reduzidas e milhares de espécies vegetais, muitas endêmicas, atravessam meses sem chuva. As paisagens que parecem desertas são densas em vida: veados-campeiros, tatupebas, raposas, serpentes, lagartos resistentes ao calor e aves adaptadas circulam entre troncos e cactos. Piritiba revela um Brasil raramente fotografado, onde a natureza não se define pela exuberância, mas pela engenhosidade da sobrevivência. Um território que prova que a resistência pode ser a forma mais surpreendente de beleza.