Milhafre-real na neve (© Carl Mckie/500px/Getty Images)
Nas Chiltern Hills, uma cadeia de colinas ao sudeste da Inglaterra, um milhafre-real cruza a nevasca. Sua plumagem castanho-avermelhada contrasta com o céu invernal, enquanto a cauda bifurcada atua como leme, ajustando curvas e planadas. Com cerca de 60 a 66 centímetros de comprimento e envergadura próxima de 1,5 metro, esse rapinante economiza energia ao máximo. Raramente bate as asas sem necessidade, lendo o terreno em busca de carniça, pequenos mamíferos ou invertebrados. Seu chamado agudo, inconfundível, revela sua presença antes de o olhar alcançá-lo.
Quase desaparecido da Inglaterra, o milhafre-real voltou a prosperar após programas de reintrodução com filhotes vindos da Espanha, no fim do século XX, tornando-se um dos casos mais bem-sucedidos de conservação de aves de rapina na Europa.
No Brasil, seu parente distante, o milhafre-preto, é visto ocasionalmente no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, a um quilômetro de Natal, no Rio Grande do Norte, provavelmente levado por ventos intensos durante deslocamentos oceânicos. Comparar essas espécies treina o olhar do observador: a cauda, a silhueta e o padrão de voo revelam tanto quanto a cor das penas e transformam cada encontro no céu em uma aula viva de natureza.